domingo, 15 de novembro de 2009

Reflexões Efêmeras

"Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recursar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida."  Pablo Neruda

    Pela primeira vez em minha vida, senti uma gota de suor escorrer sobre meu rosto, me sentia aflita, mas não triste apenas aflita; estávamos lá, frente a frente, eu partindo, e não conseguia pronunciar uma palavra se quer, conseguia apenas pensar no quanto àquela situação estava sendo constrangedora, me envergonhei por estarmos, nós dois lá, depois de tanto tempo de conversa, e eu sem nada oportuno para dizer na enfim cheda despedida. Olhei em seus olhos cansados, que me fitavam de baixo, a tristeza em seu rosto era evidente; olhando atentamente percebi o quão desgastado estava, o pobre senhor aparentava não dormir a dias, sua respiração estava compassada e barulhenta, a fadiga já podia lhe escapar pelos poros. Agachei-me, para que meus olhos o encarassem, com dificuldade ele colocou suas mãos tremulas e manchadas do sol sobre as minhas, sua pele era tão fina que se podiam ver suas veias e ossos, eram as mãos mais delicadas que já vira em minha vida, não entendi bem o motivo de tal característica, afinal, ele trabalhara por sua vida toda. Tudo bem; estávamos nós três, ele, eu e meu pai ao lado; fitei os olhos do meu pai, querendo dizer que nada a mais poderia ser feito além de partirmos, ele balançou a cabeça afirmativamente, então, me virei em direção ao senhor, e me despedi, disse que era chegado o momento, que tínhamos que ir embora, ele me olho com aqueles olhos cansados e cobertos por conta da sua pele flácida, e os abaixou, a aparência de sua face mudara instantaneamente quando disse que partiríamos, ele agora aparentava voltar a ser triste, voltar a ser aquele senhor debilitado por conta das drogas, que perdeu uma vida inteira por conta de más escolhas e que agora depois de muito tempo, está tentando ser feliz... Naquele momento consegui olhar fundo em seus olhos levemente serrados, e enxergar aquela criança de anos atrás, aquela criança que estava querendo sair, mas que não conseguia; tudo isso por que o seu estado de alma lhe transparecia nos olhos.
   Consegui enxergar o momento de felicidade que proporcionei a alguém; não fiz nada de grandioso a ele, apenas destinei alguns minutos do meu tempo para que pudéssemos conversar, pois em uma clinica de reabilitação, a maioria das pessoas não teria vontade nem coragem para fazer tal ato. Então, ele com um sorriso torto; se despediu de meu pai e eu; tocou novamente em minhas mãos e me agradeceu sem pronunciar nenhuma palavra, simplesmente balançou levemente a cabeça com um leve sorriso nos lábios, senti um aperto no coração, olhei em volta e pude notar como a vida pode ser deprimente para muitas pessoas, e que eu não poderia fazer nada para mudar isso, apenas para amenizar. Então nos viramos e partimos, sabendo que deixamos muitas vidas sozinhas e desamparadas em um lugar, precisando apenas de alguém para perguntar como foi o dia delas, quais as suas vontades, quais eram os seus sonhos, do que gostavam ou do que tinham medo... Pessoas esperando para serem ouvidas, já que passaram metade da vida sem esse direito. Saindo olhei em volta, olhei pro carro, e percebi que a minha realidade era outra, e que para a minha felicidade não teria que conviver com pessoas assim todos os dias, não que eu tenha algum tipo de preconceito, mas aquele momento me torturou por dentro, senti tristeza, por ver pessoas assim, jogadas, não esquecidas, pois lá estavam sendo muito bem cuidadas, mas por estarem esquecidas pela sociedade.

    Bem, isso que acabei de relatar foi uma visita que meu pai e eu visemos a uma casa de reabilitação para usuários de drogas, na verdade, não foi bem uma visita, ele teria que conversar com alguma pessoa que lá trabalhava e me chamou para ir junto, em primeiro momento aceitei, pois não imaginava o quanto isso mexeria comigo. Mas percebi que desde o momento em que me sentei no banco para aguardar meu pai e aquele senhor que aparentava estar lá a muito tempo se sentou ao meu lado a minha vida mudara.

   Não sei se consegui transmitir o que senti naquele momento a vocês, mas sei que foi muito importante tudo aquilo para mim, um acontecimento banal, mas que conseguiu me fazer refletir.

Beijos, até a próxima.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em memória...



“… As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminho..."



Dessa vida, não se leva nada, mas se deixa tudo; e depende de você saber o que vai deixar. Pode-se construir impérios, contribuir com o avanço da economia mundial, e ser sozinho e solitário; ganancioso, e cego de tanto poder, apenas mesquinhos e mercenários em toda sua essência. Ou podemos ser pessoas comuns, mas que marcaram muito a vida de várias pessoas, que contribuiu para a felicidade alheia, que formou cidadãos de verdade, que poderia até ser indiferente para uns, mas para outros foi de grande importância.


Esse post hoje é apenas uma singela e até boba homenagem para uma pessoa que amo muito, e que sem a qual jamais seria o que sou... Por isso digo, não deixe a vida passar de uma forma qualquer, busque sempre inovar, busque sempre acreditar em si mesmo, busque sempre acrescentar algo de bom na vida de outros, por que a vida é curta meu amigo, e por incrível que pareça esse tempo vai passar muito rápido... fazendo com que  um dia você olhe para trás e se arrependa de coisas que não fez, por culpa de um mero “espírito de acomodação.”

 
Em memória de uma Grande Mulher.

Quero agradecer a ela, por ter feito tudo que poderia fazer para a felicidade de sua família, por ter lutado contra tudo e contra todos para garantir que seus filhos pudessem viver. Ela que é a base de toda essa família; que criou seis filhos nas mais precárias condições, que em nenhum momento perdeu as esperanças ou deixou de acreditar em um futuro mais generoso. E se hoje posso agradecer todos os dias pela família que tenho é graças a ela.
 Angelina, mulher de fibra e garra, que será lembrada por toda a minha vida, mulher com espírito guerreiro, que só foi nos deixar depois de quase 90 anos e que mesmo passando por tudo o que passou conseguiu viver para ver seus seis filhos crescerem e se tornarem homens e mulheres realizados, que pode ver nascer onze netos e cinco bisnetos, e viveu o suficiente para nos fazer felizes. E que partiu sabendo que construiu uma história inteira, a história de uma família unida como a minha, que faça chuva ou faça sol, está sempre junta. Obrigada vó por me fazer ser quem sou, pois se sou assim é por que meu pai me ensinou a ser, e se ele é assim é por que a senhora também o fez... GRANDE MULHER, exemplo a ser seguido, pois mesmo doente, e até já sem dente... Sempre mantinha um lindo sorriso no rosto.

Sinto a sua falta.

23/06/2009