sábado, 13 de fevereiro de 2010

Olhar os Olhos


As lágrimas escorrem no momento em que você não consegue mais fazer a alma calar-se. No momento em que você se entrega e desiste de lutar contra si mesmo. Por mais que as prenda, por mais que as ignorem, as lágrimas sempre aparecem no canto dos olhos, na espreita, só esperando o momento em que você se entrega, e contra a sua vontade deixa o coração falar, para enfim poderem rolar pela face, sem nenhum pudor. Transmitindo tudo aquilo que sente sem que palavras precisem ser proferidas.

Se quiser saber se um dia alguém verdadeiramente amou, basta olhar-lhe fundo nos olhos, para notar a essência de esperança fluindo discretamente pelos mesmos; também notará aquele leve brilho radiante, que não nega que sua alma outrora trasbordara de felicidade.

Se quiser saber também se um dia alguém amou e se magoou, a ação é a mesma, olhe fundo aos olhos do ser, e perceberá que eles insistem em encarar intensamente os seus, que eles simplesmente se fecham para o interior, tentando parecer firmes e fortes; se vê também aquele leve brilho, que parece já quase acabado, cansado de brilhar, mas que por mais que tente nunca cessará.

Para saber se alguém sente ódio, ou dor; também lhe olhe nos olhos; e notara sempre aquele pequeno acumulo de lágrimas clamando para sair. Geralmente quando não se esta bem, há um terrível orgulho que insiste para que transmitamos que estamos em perfeito estado; mas isso você pode fazer com sua voz, com o seu sorriso, com suas reações, mas jamais com seus olhos.

Os olhos não são manipuláveis, não mudam, não enganam. Eles são os pontos fracos dos fortes; eles nos denunciam no momento em que mais precisamos de sua lealdade; eles são carentes; eles necessitam de atenção; eles não poupam esforços para dizer ao mundo se você está feliz ou triste; eles não se importam com a sua ética; eles menosprezam o seu orgulho; eles gargalham da sua individualidade.

Eles são traiçoeiros, mas até do que a pobre língua, que facilmente consegue ser manipulada pelo cérebro. Os olhos constantemente te traem; os olhos constantemente seduzem; os olhos constantemente machucam. Por mais que usemos “máscaras” de sorrisos e risadas, os buracos dos olhos sempre estarão lá, abertos, para quem quiser desvendá-los.

Como dizem, “Os olhos são as janelas para a alma.”, e eu digo: a face é apenas uma cortina transparente que não serve para nada; e que não consegue influenciar em nada que se passa na “janela”. Os olhos são as partes materiais da alma. Podemos esconder nossos sentimentos, calar nossos desejos, mas jamais o olhar. Eles sempre estarão lá, para mostrar que seu sorriso de torna falso caso sua alma esteja embebida de ódio; para provar que a sua risada é a mais verdadeira, pelo simples fato deles facilmente deixarem vazar a felicidade que transborda em seu coração; eles sempre estarão lá, para dizer a verdade, para serem mais que sinceros; os olhos nunca mentem.

É necessário enxergar com a sua alma para entender a de outros. Nada adiantará olhar simplesmente por olhar, em suma é necessário observa-se; caso o contrário não verá nada além e uma íris e uma pálpebra móvel que insiste em abrir e fechar constantemente.
E que se abram os olhos que verdadeiramente sabem enxergar além do que se vê; e que se fechem aqueles que preferem ignorar o que uma alma quer dizer.

Beijos, até a próxima.