quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Batalha

Então, como se mais nada pudesse ser feito, a boca calou, e corpo começou a falar. Uma foice penetrara em minh’alma, dilacerando toda a visão equivocada que eu mantinha sobre a referida situação, no momento em que suas lágrimas frias e voláteis, escorreram rudemente pelo meu ombro. A garganta havia secado, e o orgulho evaporado; tornou-se árduo engolir saliva. O angustiante nó que estava entalado em minha garganta, não deixou que palavra alguma fosse proferida. Naquele instante, tudo perdera o seu sentido. Sentia-me em uma guerra, sobre a qual, encontrava-me armada até a cabeça; e me via estagnada em meio a todos os corpos tombados no chão ao meu redor. Coberta de sangue, e ferida pela deflagrante guerra, pude enfim constatar, que aquela era uma batalha friamente desigual; que meu oponente, encontrava-se totalmente desarmado, sem proteção; Não havia notado isso anteriormente, pois minha armadura era demasiadamente rija e avultada, e acabou por tampar o buraco de meus olhos. Eu lutei, lutei para defender-me, para não me machucar, para terminar tudo aquilo, sem um fio de cabelo fora do lugar.

 Entretanto, não contara com a brandura de meu oponente. Ele não tinha lá grandes experiências em guerras; as batalhas que ele outrora perdeu, foram singelas e acabaram por não deixar intensas cicatrizes. Ele sem perceber, ingressou nessa implacável guerra, sem armas. Eu poderia tê-lo avisado de que eu era uma boa guerreira, de que já havia lutado em diversas batalhas, e que minha inexorável armadura, dificilmente cairia ao chão. Era o fim, havíamos desistido de lutar, e eu me mantinha intacta, como outrora havia planejado; todavia meu oponente estava digladiado; a dor da luta fora mais intensa, para aquele que menos havia se resguardado. Agachei-me ao lado de meu oponente, que se encontrava desolado, desabado ao chão. Sentia-me mal, por não ter me machucado tanto quanto aquele ser; por não tê-lo alertado anteriormente, dos riscos que ele poderia correr; sentia-me mal, pois nem em momentos de bonança eu vacilei e abandonei minhas armas. Senti-me mal, por ver meu oponente sem forças. Eu não esperava aquele momento; fui obrigada a arrancar a minha armadura, e jogar a minha espada e meu escuto no chão, no exato momento em que senti aquela singela gota salgada rolar por minha pele, e rasgar a minha alma.

Nada pude fazer, nada pude falar, apenas o envolvi entre meus braços cansados de lutar e dei-lhe meu ombro, e minha alma para matar. Aquelas lágrimas escorreram sobre mim, da maneira mais dolorosa possível. Chegamos ao nosso limite, ao fim do duro trajeto. Suas lágrimas, seus soluços, me fizeram sentir junto a ele, toda a dor e toda a vulnerabilidade de um ser.

E tudo se findou. Eu desisti de lutar, e entreguei-me a todo aquele frenesi de sensações. Nada mais poderia ser feito, as poucas armas que ainda restavam, foram jogadas ao chão. E eu firmemente, traí a mim mesma, e a minha inexorável força, orgulho-me muito por isso; meu coração pode chorar junto ao dele. Nada mais restava, além de lembranças e duas pessoas partilhando da mesma dor. Chegamos ao final. As palavras não mais faziam sentidos, os sorrisos acalentadores, já não mais acalentavam; a prolixidade em minhas metáforas, para facilitar o entendimento, já não mais eram entendidas; a racionalidade caíra por terra; o coração quis falar, e as lágrimas simplesmente rolaram.

A vida ensinou-me da maneira mais árdua, que não se deve ingressar desprotegida, em uma guerra, no amor. Eu aprendi, vivendo tudo isso. Infelizmente, aprendi que tenho que afiar a minha espada constantemente para não morrer no campo de batalha. Já perdi muitas guerras, já fui ferida profundamente, já levantei muitas bandeiras de rendição, entretanto nunca morri.

 E quem fora o aluno, virara o professor. Deveria tê-lo avisado, que o amor não é fácil; que um lado sempre saíra mais machucado que o outro; que relacionamentos podem ser campos de batalhas cruéis e sanguinários, onde duas almas se encontram, se amam, e se os acontecimentos não lhe forem favoráveis, se matam. Eu nunca o ataquei, nunca fui com minha lâmina afiada ao seu encontro; todavia falhei, pois nunca abaixei a guarda nem tampouco o meu escudo. Ele nunca me atacou, e mesmo assim, me defendi. Infelizmente, eu me defendi da pessoa que menos queria machucar-me; e acabei machucando-a.

A vida juntamente com o tempo tornou-me forte, revestiu meu singelo coração com uma espessa camada de racionalidade, para que por ventura, eu não viesse a padecer, caso minhas habilidades guerrilheiras fossem requisitadas. Mas eu errei. Entrei em uma guerra com alguém que era puramente e unicamente sentimento, alguém que se doou ao máximo, amou ao máximo, entregou-se ao máximo. Dei o melhor que pude, e por mais que o amor em meu peito fosse gigante e devastador, nunca me entreguei cegamente, não podia ao menos alimentar a idéia de um sofrimento novamente.

Talvez se tivesse entrado sem armas no campo de batalha, as coisas teriam tido continuidade, entretanto, o fim, se o mesmo existisse, seria demasiadamente terrífico; pois duas pessoas sem defesas tendem a morrer. Mas minh’alma não me deixou nem ao menos tentar, ela zela pelo meu bem estar, me faz egoísta. Queria ter me doado mais, mas ela não deixou. A razão impediu que todo o meu amor vaza-se para fora, por receio de eu me tornar puramente e unicamente sentimento.

No momento em que eu fitei seus olhos, transbordados em lágrimas, notei o quão e protegido do mundo externo meu coração estava.

Faz parte da vida, renovar-se. Faz parte da vida, aprender com os fatos; e talvez eu tenha aprendido demais; talvez eu tenha sido demasiadamente forte, demasiadamente racional; talvez essa seja uma defesa natural.  

Limito-me a narrar unicamente os fatos. Não ousarei, por enquanto, falar verdadeiramente sobre amor.

Beijos, até a próxima.

5 comentários:

  1. Nátaly, que texto mais expressivo esse ! Cada estrofe, e cada palavra nos faz sentir como se fosse com a gente. Você descreveu em palavras algo difícil de dizer ou expressar, e acabou fazendo isso muito bem. Parabéns!

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  2. Escrita estilo Augusto Cury (infelizmente isto não é um elogio) :(
    Bom, você até tem um bom domínio da língua (um ou outro errinho bobo), o que é essencial a quem escreve, mas falta-lhe ainda aprimorar a narrativa em si. Boa sorte em sua caminhada, se perseverar, creio q terá grandes frutos! ^^

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  3. Muito bom mesmo Nátaly.
    Mais um texto em que você consegui se expressar, se libertar das amarras de uma simples palavra e mostrar que um texto pode ser muito mais que isso, sempre me surpreendo cada vez mais a cada novo texto seu que leio, sempre persuadindo o leitor a terminar a leitura, sempre deixando um gostinho de quero mais, kkk, enfim, seus textos são diversos, é muito bom conhecer alguém que escreva tão bem :), em minha humilde opinião é claro, mas continue assim, logo teremos uma escritora mundialmente conhecida chamada Nátaly Napoli XD, aguardo novos posts....tchau!

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  4. Parabéns Nátaly!
    Um texto rico em vocabulário e também em conteúdo. A Batalha da vida é algo tão complexo, a importância impensável dos erros e acertos na mesma. Você expôs o assunto de uma maneira encantadora!
    Mais uma vez, meus parabéns e SUCESSO!!

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  5. Maravilhosa blog! Bastante expressivo o texto acima!
    Sucesso!!
    www.krolriceprosa.blogspot.com

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