segunda-feira, 18 de abril de 2011

Saudades Incontidas

     Se esta fosse uma carta, eu começaria pedindo desculpas. Desculparia-me insistentemente por ter crescido, por ter aprendido a andar e falar, por ter perdido o medo do escuro, e de todas aquelas outras coisas abstratas, das quais você costumava me proteger, e que nos unia de uma forma inimaginável.

    Que me perdoem todos os meus outros amores, mas este amor que ostento por ti, é desmesurado. Essa falta que me faz quando parte, é insaciável; esse medo de perder-te um dia, de surpresa, é o meu maior martírio.

    Sinto falta daquela época em que os abraços eram mais frequentes. Sinto falta daquelas manhãs chuvosas em que você me acordava com afagos, e não me deixava levantar até dizer o quanto eu te amava. Sinto falta de quando éramos apenas você e eu, quando eu bastava a ti, e você a mim.

    Se meus olhos não estivessem vermelhos, incontidos em lágrimas, e minha face irrefutavelmente infeliz, eu me atreveria a ir acordá-lo no quarto ao lado, e dizer o quanto eu o amo.

    Quanto mais o tempo passa, mais árdua se torna a convivência, e eu até entendo o porquê. Estou involuntariamente deixando para trás uma daquelas grandes coisas que unem um pai e sua amada filha, o cuidar. Não quero me soltar de suas amarras, não quero cortar o cordão umbilical, não, ainda é cedo demais, tenho medo de nunca mais voltar. Infelizmente a vida está tratando de fazer isso por mim, nossos destinos estão sendo escritos separadamente. Sei que chora ao saber que um dia partirei, e que ainda restam em mim, poucos, e até imperceptíveis rastros, daquela menina que você costumava ensinar sobre a vida.  Às vezes, em momentos de insensatez, questiono o seu amor por mim, da mesma forma como tenho certeza que fazes. Quanto mais velha me torno, mais vontade tenho de regressar àqueles bons tempos em que eu ainda era a sua menina.

    Ah meu pai, você está ficando velho e ranzinza, e eu adulta e independente. E quanto mais o tempo passa, maior se torna essa irrevogável lacuna entre nós. Às vezes sinto vergonha ao expressar estes sentimentos contidos.  Como pode? Como posso envergonhar-me de dizer àquele que me cuidou com finura durante toda a vida, que eu o amo? Não sei como, só sei que é.

    Sinto da mesma forma, que há algo em mim que o transtorna, algo em mim que o machuca, sinto que quando ele me olha, algo é aberto, feridas talvez. Acredito que trago a sua memória, a dolorosa lembrança de minha mãe, a mulher que ele tanto amou, a ponto de confessar isso diante de Deus, em sagrado matrimônio. Ao me olhar ele se recorda daquela promessa que fora feita, e não cumprida, aquela em que ele disse na frente de homens e anjos, que a amaria, e a cuidaria na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de sua vida.

   
 Às vezes me torturo, e tento imaginar quão grande seria a minha dor, se um dia acordasse e soubesse que ele partiu para sempre. Mais do que triste, me sentiria culpada, culpada por termos nos afastado por tanto tempo, mesmo estando tão próximos um do outro.

    Não se preocupem em tirar grandes conclusões deste texto, pois tudo isso não passa de meros desabafos íntimos.

Beijos, até a próxima.

4 comentários:

  1. oeee
    desculpa a demora,
    mttt obrigada por participar do meu blog, fico mt contente!!!
    adorei o seu e estou seguindo-o.

    grande beijo e uma otima semana!!!

    http://cabecafeminina.blogspot.com

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  2. Oi Tudo bem !?!? Gostaria de divulgar o meu blog www.entreaspasblog.com. Me siga lá e eu te sigo de volta !!! Obrigada, Tici : )

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  3. Oii linda, estou reunindo todos aqueles blogs que tem perfis de divulgação, e que eu particularmente gosto muito em minha comunidade Perfis de Divulgação de Blogs, e gostaria que você participasse *-*

    http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=114529010

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  4. Que delícia poder passar por aqui e depois desse tempo todo ver o blog de cara nova, de textos novos (tão tocantes quanto todos os outros que lia aqui meses atrás) e a mesma essência que me fascinou desde o início!

    Ah, esses pais...são meu maior tesouro, meu maior amor e como eu queria conseguir demonstrar todo esse sentimento dentro do peito. Realmente, na infância é tão mais fácil, ficamos tão mais perto, mais próximos, mais carinhosos. Ah, que saudade! Talvez devêssemos deixar tudo de lado e trazer de volta, pelo menos por alguns instantes, aquele criança que ficou adormecida dentro de nós.

    Grande beijo!

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